Curiosidades

Saiba a origem do VAR, o árbitro de vídeo

By dezembro 12, 2020 No Comments
Saiba a origem do VAR, o árbitro de vídeo

Se você gosta de futebol com certeza já ouviu muito falar do VAR e pode ser que goste dele ou que não aprove, devido à uma sinalização errada contra o seu time do coração.

Pode ser que você faça o sinal dele (um retângulo com as mãos) durante a partida ou em brincadeiras com os seus amigos.

O que muitos não sabem é que a tecnologia de imagem para definir resultados no esporte começou há mais de 100 anos.

Vamos relembrar a história das revisões de finais no esporte, saber mais sobre o VAR – a mais moderna tecnologia de confirmação de lances no futebol – e também curiosidades dobre o replay.

O que é o VAR e quando ele começou a ser usado?

A sigla VAR (Video Assistant Referee) significa árbitro assistente de vídeo. Quatro pessoas ficam em uma sala dentro do estádio e assistem aos vídeos da partida. Eles são: o operador do equipamento, o assistente VAR, supervisor de impedimento e o árbitro VAR.

A arbitragem de vídeo no futebol foi testada pela primeira vez em 2016, no amistoso na Holanda entre PSV e FC Eindhoven. Em jogos oficiais, a estreia também aconteceu no país. Foi em setembro de 2016 durante a Copa da Holanda na partida entre Ajax e Willem II.

A tecnologia começou a ser utilizada efetivamente na Copa do Mundo de 2018 e estreou no Brasil em agosto do mesmo ano. A Copa do Brasil foi a primeira competição a receber o auxílio do vídeo e depois a Libertadores e Sul-Americana. Já o Brasileirão recebeu o VAR a partir de 2019.

Qual foi a origem do uso de imagens para auxiliar nas competições esportivas?

Nas corridas de cavalo uma câmera tirava a foto apenas do vencedor. O registro mais antigo é de 1890.

Nas Olimpíadas em Estocolmo, na Suécia, em 1912, foi usado um sistema de cronômetros sincronizados com uma câmera. Ela registrou por foto o vencedor, o segundo e terceiro colocado da prova de corrida de 1.500 metros.

O ganhador foi Arnold Jackson, segundo colocado Abel Kiviat e o terceiro Norman Taber.

Saiba a origem do VAR, o árbitro de vídeo

Foto: Comitê Olímpico Internacional

Na Califórnia, Estados Unidos, em 1930, teve o photo-chart no turfe (corrida de cavalo). Essa tecnologia consistia em uma câmera instalada na linha de chegada e ela tirava várias fotos. O sistema foi inventado por Lorenzo Del Riccio, engenheiro do estúdio de cinema Paramount.

Ele fazia com que o filme fotográfico corresse pela abertura da lente na mesma velocidade dos cavalos (mas ao contrário). As fotos saíam com a imagem do cavalo congelada e o fundo da imagem ficava borrado.

Como funciona o VAR?

Durante um jogo de futebol, várias câmeras estão espalhadas pelo campo e filmam em diferentes ângulos. Todas essas imagens são transmitidas em vários monitores na sala de vídeo, onde os assistentes ficam e podem rever as jogadas.

Os assistentes podem auxiliar no lance a pedido do árbitro (em caso de dúvidas naquela jogada) ou caso eles próprios vejam um lance duvidoso.

Quando o VAR é acionado, as imagens da cabine dos assistentes são transmitidas em outra tela (dentro do campo) para o árbitro assistir várias vezes, em câmera lenta e de diferentes ângulos. Eles conversam através do fone de ouvido e a palavra final é do juiz.

Quais tipos de jogadas podem ser revisadas?

Não são todos os momentos do jogo que podem ser revistos pelo VAR, ele serve para auxiliar o juiz da partida.

  • Gols: o VAR pode informar ao arbitro se houve alguma infração que impeça o gol validado como um impedimento, se a bola entrou ou não por completo dentro do gol, se a bola saiu do campo antes do gol marcado e uma falta não marcada antes do gol;
  • Pênaltis: caso o pênalti tenha sido marcado de forma errada, se foi pênalti mas o árbitro não deu, lance de falta ou impedimento antes da jogada do pênalti (lance cometido pela equipe atacante), bola fora de campo antes da jogada de pênalti, se o goleiro se adiantou na cobrança ou outro jogador invadiu a área (se esse atleta, no rebote, se envolver com o lance);
  • Cartão vermelho: caso uma falta clara para expulsão não tenha sido dada pelo juiz ou revisões de lances de expulsão direta (e não quando é dado o segundo cartão amarelo). Caso o árbitro pare um lance de falta e depois retome o jogo, ele pode ser avisado na sequência pelo VAR sobre a expulsão e é permitido paralisar o jogo novamente para dar o cartão vermelho. Apenas nesse caso é permitido aplicar a punição com revisão do VAR após o jogo já ter sido retomado;
  • Erro na identidade de um jogador: o VAR pode informar o árbitro em casos de aplicação de cartão amarelo ou vermelho no atleta errado, que não estava envolvido na jogada que gerou a punição.

E o replay?

O replay tem a função apenas de retransmitir a imagem, o lance, e não auxiliar na arbitragem ou definição do vencedor. Mas essa também foi uma grande tecnologia criada para o esporte.

Em 1963, o diretor de TV Tony Verna (com 29 anos de idade) testou a novidade. O acontecido foi de um jogo de futebol americano entre a marinha e o exército americano e o evento foi transmitido em rede nacional naquela época.

Os aparelhos para esse tempo eram do tamanho de uma geladeira e ficavam do lado de fora do estádio e estúdio. Os técnicos precisavam ter bastante cuidado para repetir a imagem.

O replay era gravado em cima de uma fita já usada, então tinha a chance de alguma imagem daquela fita antiga vazar no ar no momento de transmitir o replay.

Já parou para pensar em como as coisas evoluíram? Hoje em dia é a coisa mais comum acompanhar um jogo de futebol com replay do gol, da falta, vários ângulos diferentes do lance, além da tecnologia do VAR, que muitas vezes ajuda o árbitro a validar um gol impedido ou anular o gol do adversário.

Thais Helena Bento

Thais Helena Bento

Jornalista formada pela PUC-Campinas. Tem 23 anos e também atua como produtora esportiva. Comunicativa, gosta de estar com a família e os amigos no tempo livre e valoriza muito as relações.

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